Fabio Barbosa: “Temos que chamar mais a responsabilidade para nós”

ABCR_Logo 8 festivalPonto de convergência nas palestras e debates durante os dois primeiro dias de intensas atividades do oitavo Festival ABCR, o cenário de crise pela qual passa o Brasil, também foi foco da palestra de Fabio Barbosa, hoje vice-presidente da Fundação Itaú Social.

Apresentado por Celia Cruz, uma das fundadoras da ABCR, em loas não apenas ao protagonismo do executivo na promoção da sustentabilidade, mas também a uma postura pessoal frente ao fortalecimento do setor social, o ex-presidente da editora Abril, Febraban, Santander e Banco Real, fez um discurso aspiracional, mas realista, aos convidados do jantar que celebrou os melhores do ano com o Prêmio ABCR.

Contexto

ABCR- Qui-320Segundo Barbosa, o Brasil vive um momento difícil com uma crise econômica, política e de valores. Embora se possa olhar com otimismo o “passando a limpo” que instituições fortalecidas brasileiras têm feito na acusação e prisão de corruptos e corruptores, ainda há empecilhos estruturais para o crescimento.

Ao falar do bônus demográfico brasileiro, o momento em que existe mais gente trabalhando e o país deveria enriquecer, foi direto: “O Brasil não está enriquecendo antes de envelhecer e isso trará um grande problema lá na frente”. E um segundo problema apresentado por ele é a educação. “Ou a gente resolve isso, ou não haverá programa social que o irá solucionar”, resumiu.

Dentro desse contexto, alegou que o país precisa de reformas urgentes, como a política, previdenciária, fiscal, trabalhista etc., mas ressaltou a importância de uma reforma de valores. “Ou a gente muda os valores da sociedade ou isso aqui não vai andar. E valores não precisam ir para o Congresso para pedir aprovação de ninguém, maioria, partidos. É cada um de nós no dia a dia”, assegurou Barbosa.

Ao citar um provérbio chinês, “se cada um varrer a sua calçada, o país está limpo”, trouxe a corresponsabilidade para todos. “Cidadania é um conceito esquecido. O fato é que a nossa sociedade tolera e comete pequenos delitos em uma extensão inaceitável. Acho muito difícil mudar o Brasil. Mas mudar o seu redor é fácil. Gostaria de radicalizar: tolerância zero para pequenos delitos de qualquer sorte.”

“Chamar para si”

ABCR- Qui-334Barbosa acredita que faltam lideranças no Brasil que deem exemplo; não com discursos, mas com atitudes. Disse ainda, que a aprovação do impeachment no plenário da Câmara, dia 17 de abril, quando a postura e discursos dos deputados foi duramente criticados, não resumiu o Brasil. “Aquilo que nós vimos naquele domingo, não é um retrato do país, mas um retrato da omissão de parte da população brasileira e da elite, que não se aproxima da política. Não quer saber”, criticou, citando o jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli.

Nesse sentido, Barbosa conclamou a todos a serem mais protagonistas. “A sociedade civil deve chamar para si a responsabilidade. E é isso que vocês fazem nas várias organizações que, aqui, representam. É pensar ‘eu vou cuidar da parte que está ao meu redor’, mas concretado com o que o Estado faz. A gente tem que ver o lugar que vamos ocupar nessa sociedade.”

Afinal, uma sociedade que tem melhores valores, cobra mais de governos. Tal como cobra de empresas, que na visão do executivo, devem abandonar o falso dilema de “ou você ganha dinheiro, ou olha a questão social, ambiental e ética”. “Ou faz os dois, ou não vai sobreviver. As empresas também devem chamar para si essa responsabilidade. O negócio precisa ter essa capacidade de adaptar”, apontou.

Para finalizar Barbosa disse que independentemente se alguém estiver em uma empresa, governo ou organização social, em primeiro lugar essa pessoas é uma cidadã. “É como cidadão que eu vejo como posso contribuir. O Brasil é o que dele nós fazemos, com as nossas ações e com as nossas omissões. Podemos servir de exemplo; que você pode ser bem sucedido e feliz fazendo a coisa certa, do jeito certo. É difícil? É, mas enquanto houver indignação, haverá esperança. Enquanto a gente acreditar, não desistamos no Brasil”.

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Fábio Barbosa, ao centro, com o Conselho Deliberativo e o Diretor Executivo da ABCR

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