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Doação, captação de recursos e ciência

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A página online Freaknomics, mantida pelos autores do livro do mesmo nome, Steven Levitt e Stephen J. Dubner, publicou um podcast com o economista John List, professor da Universidade de Chicago, em que este apresenta vários resultados interessantes de experimentos que realizou sobre o que faz as pessoas doarem, inclusive debatendo algumas práticas já conhecidas.

Conforme nos é apresentado, John List, fez vários experimentos controlados, desde 1998, para saber o que daria mais resultado na captação de recursos para uma causa. Suas conclusões são apresentadas no livro “The Why Axis: Hidden Motives and the Undiscovered Economics of Everyday Life” (o Eixo do Por Que: Motivos escondidos e a economia não-descoberta da vida cotidiana”, em tradução livre).

Confira algumas das conclusões dos autores, resumidas pelo Doutor em Administração Pública, Fabio Storino, que contribuiu com a ABCR neste texto:

  • Pra começar, o doador típico é mais bem descrito como auto-interessado do que como altruísta. Assim, seria preciso apelar mais a quem está doando (vejas quais são suas vantagens ao doar) do que ao recipiente da doação (veja quem esta sendo beneficiado).
  • Pressão social funciona: ao atender a porta e ver a menininha vendendo Girl Scouts cookie (é muito bom, aliás), a pessoa se sente compelida a ajudar. Mas a pessoa também tenta fugir dessa pressão: se já soubesse quem era à porta, talvez sequer atendesse a porta.
  • Pressão social funciona para todas faixas de renda, inclusive os grandes doadores.
  • Efeito “manada” (herding ou information cascades): se vir uma pessoa conhecida, influente ou amiga doando para uma causa, aumentam as chances de ela doar também para a mesma causa.
  • Para doações porta-a-porta, aparência importa: se o doador for homem, as chances de ele doar aumentam se a pessoa pedindo a doação for uma mulher atraente. As atraentes conseguiram arrecadar mais do que o dobro que as de aparência mediana. Loiras arrecadam mais que morenas. Se a doadora for mulher, aparência importa muito menos.
  • Equiparar a doação (matching) funciona, mas importa pouco a proporção: os resultados do matching de 3-para-1 não foram significativamente diferentes que de 1-para-1.
  • Prêmios funcionam bastante: um exemplo é, a cada 5 dólares doados (reais, no caso brasileiro), oferecer um cupom  que concorre a prêmios. Seja tipo loteria (prêmio em dinheiro) seja em bens privados (uma caneca para quem doar $5, uma camiseta para quem doar $10 etc.).

E vocês, qual a sua opinião?

Confira, clicando aqui, o áudio completo dessa publicação, em inglês, na página do site Freaknomics. A transcrição do áudio pode ser lida aqui.