Exigência por resultados mensuráveis, disputa por editais e profissionalização de equipes mudam o perfil de quem trabalha com impacto social no Brasil
O Terceiro Setor brasileiro deixou de ser visto apenas como um espaço movido pelo voluntariado. Nos últimos anos, organizações da sociedade civil (OSCs) passaram a incorporar práticas de gestão, planejamento estratégico, avaliação de impacto e governança, acompanhando a crescente exigência de investidores sociais por transparência e comprovação de resultados.
Essa mudança também se reflete no mercado de trabalho. Segundo o estudo Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (FASFIL), do IBGE, o setor emprega 2,7 milhões de pessoas formalmente no Brasil. Além disso, 36% dos trabalhadores possuem ensino superior, percentual superior ao observado na média das empresas privadas brasileiras.
Na avaliação de especialistas, o crescimento do investimento social privado, das agendas ESG e da cultura de monitoramento de resultados elevou o nível de exigência sobre os profissionais que atuam em organizações sociais. Para Carla Damião, fundadora da Umanitar Academy e finalista do Prêmio Britânico SheInspire, esse movimento representa uma mudança estrutural na forma como o setor opera. “Durante muito tempo, o conhecimento técnico era visto como um diferencial. Ele passou a ser um requisito. Quem atua no Terceiro Setor precisa dominar planejamento, gestão de projetos, indicadores, avaliação de impacto e prestação de contas para responder aos desafios de organizações cada vez mais complexas”.
Especializada na formação de profissionais para organizações sociais, a Umanitar Academy acompanha essa transformação por meio de cursos voltados à gestão de projetos sociais e avaliação de impacto, áreas que ganharam relevância diante das novas demandas do setor. A instituição foi criada para adaptar metodologias de gestão ao contexto das organizações sociais e atua com certificações internacionais nessas áreas.
Na avaliação da especialista, a profissionalização também contribuiu para ampliar o reconhecimento do Terceiro Setor como um campo de atuação para diferentes carreiras. “O setor deixou de ser visto apenas como um espaço de atuação para quem deseja fazer a diferença. Ele também se consolidou como um ambiente que demanda especialistas em gestão, dados, captação de recursos, comunicação, tecnologia e avaliação de impacto. Isso amplia as possibilidades de carreira e fortalece as organizações”. Nesse cenário, cresce a demanda por profissionais com competências em gestão de projetos, monitoramento e avaliação (M&A), captação de recursos, análise de dados e mensuração de impacto social.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que o Terceiro Setor também se consolidou como um importante empregador no país. O levantamento aponta crescimento no número de trabalhadores formais e na remuneração média das fundações privadas e associações sem fins lucrativos, reforçando a relevância econômica dessas organizações. Para especialistas, a tendência é que a profissionalização continue avançando à medida que investidores sociais, empresas e órgãos públicos ampliem a exigência por transparência, governança e evidências de impacto nas iniciativas apoiadas.