O sucesso de uma campanha do Dia de Doar depende de mais do que criatividade ou boa vontade. Para engajar a comunidade, mobilizar parceiros e conquistar apoios financeiros, é preciso planejamento, estratégia e, sobretudo, profissionalismo. Foi o que mostrou o evento de encerramento da Semana Nacional de Educação para Gentileza e Generosidade, promovido pelo Dia de Doar, com participação de Phelipe Salles, Marina Pechlivanis e Fernando Assad.
Ao longo do encontro, os convidados compartilharam práticas que fortalecem campanhas locais e comunitárias, especialmente voltadas à cultura de doação. Em comum, uma ideia central: é possível (e necessário) estruturar ações simples, de baixo custo, mas com alto poder de mobilização, desde que haja clareza de propósito e cuidado nas relações. Com base nas experiências compartilhadas, reunimos cinco lições para quem pretende mobilizar recursos para campanhas do Dia de Doar, que este ano acontecerá em 2 de dezembro, liderado pela ABCR.
1. Mobilização começa com planejamento (e não com dinheiro)
Planejar foi o primeiro passo para o Instituto Selo Social sair de um cenário de incertezas, em 2020, para alcançar presença nacional e captação em 2025. Fernando Assad lembrou que a equipe começou esse processo com uma conversa franca, sem idealizações: “É uma reunião com um bolinho em cima da mesa, um cafezinho, e a pergunta: como queremos estar em 2030? Tá, e o que precisamos fazer em 2025 para isso acontecer?”
Para quem está preparando sua campanha do Dia de Doar, a menos de dois meses da data, esse exercício pode parecer distante, mas ele é essencial, mesmo em escalas menores. Saber o que você quer alcançar em 2 de dezembro, quem precisa estar envolvido, quais ações são viáveis dentro do seu tempo e estrutura, e o que é prioritário na comunicação e mobilização pode evitar dispersão e aumentar os resultados. Planejar, nesse caso, não é burocratizar: é focar. E, como Fernando reforça, não exige ferramentas complexas, exige disposição para se reunir, olhar com sinceridade para o que é possível e traçar passos concretos a partir daí.
2. Campanhas bem-sucedidas constroem vínculos, não só arrecadação
Um dos maiores erros de campanhas de captação é pensar o doador como alguém que “apenas transfere recursos”. Segundo Fernando, é preciso “tratar captação como relacionamento. E relacionamento exige presença, escuta, reconhecimento e constância”. No Instituto Selo Social, isso se traduz em uma régua de relacionamento com os financiadores: contato prévio, reuniões de alinhamento, convites para eventos, relatórios parciais, visitas institucionais e homenagens. “A gente já viu caso de financiador que construiu uma sala inteira para um projeto e sequer foi convidado para a inauguração. Isso não pode acontecer”.
Para quem está organizando campanhas para o Dia de Doar, essa visão também se aplica: mesmo que a campanha seja pontual, a construção de vínculo pode (e deve) começar agora. Enviar uma mensagem personalizada para quem apoiou no ano passado, convidar doadores para conhecer a causa por dentro, agradecer com histórias reais e criar espaços de troca já são formas de transformar a doação em relacionamento. O objetivo não é apenas arrecadar no dia 2 de dezembro, mas fazer com que esse gesto seja o começo de uma conexão mais duradoura.
3. Nem todo apoio vem em forma de dinheiro — e tudo bem
Para muitas organizações, a primeira barreira ao planejar uma campanha do Dia de Doar é a sensação de que falta dinheiro para começar. Mas a experiência da Semana Nacional de Educação para Gentileza e Generosidade mostrou que articular redes locais e mobilizar recursos não financeiros pode ser tão valioso quanto captar valores em dinheiro.
Materiais impressos por parceiros, espaços cedidos, apoio cultural, divulgação feita por pessoas da comunidade — tudo isso amplia o alcance e fortalece a campanha. A dica é olhar com atenção para o território e perguntar: quem pode somar com o que já temos?
Essa foi uma das mensagens centrais de Marina Pechlivanis, idealizadora da plataforma Educação para Gentileza e Generosidade. Durante a Semana, foram distribuídos postais com mensagens manuscritas na estação da CPTM em São Paulo, além da impressão de materiais por clubes, escolas e universidades, tudo com apoio local e uso criativo dos recursos disponíveis. Marina também destacou parcerias culturais, como a do grupo Barbatuques, como formas simbólicas e afetivas de ampliar o alcance da causa.
4. Financiadores também querem aprender, se conectar e ser reconhecidos
Uma das reflexões mais importantes para quem organiza campanhas é entender que financiadores, sejam empresas ou pessoas físicas, buscam mais do que “fazer o bem”. Eles também desejam visibilidade, reconhecimento, conexão com outros atores e oportunidade de aprendizado. Saber disso pode fazer toda a diferença no momento de estruturar uma proposta ou apresentar um projeto.
Fernando Assad explicou como o Instituto Selo Social passou a incluir todos esses elementos em suas apresentações. “O meu doador quer visibilidade, quer ser reconhecido pelo trabalho dele, pelo investimento dele. […] Ele quer participar de eventos, de atividades, de palestras.Quer ganhar capital social, ser reconhecido por esse trabalho naquela cidade, naquele território ou nacionalmente”.
Para as campanhas do Dia de Doar, isso significa que a comunicação com empresas, comércios locais ou apoiadores individuais não deve ser centrada apenas na urgência da causa. É importante mostrar que a pessoa ou instituição apoiadora será reconhecida, fará parte de algo maior e poderá se conectar com outras ações e histórias reais. Dar visibilidade, criar momentos de troca, convidar para conhecer os bastidores do projeto e celebrar junto são formas simples de transformar o apoio pontual em uma parceria contínua.
5. Campanhas bem-sucedidas não nascem prontas: persistência é o diferencial
Muitas das experiências compartilhadas no evento mostraram que o sucesso de uma campanha está na disposição de insistir, testar, errar e ajustar. Mesmo iniciativas simples, com poucos recursos, podem alcançar resultados significativos quando se mantém ativas e consistentes. A cada nova edição do Dia de Doar, as campanhas que persistem ganham mais visibilidade, ampliam suas redes de apoio e aprendem com a prática. O tempo e a constância permitem criar vínculos mais sólidos com seus doadores e melhorar sua comunicação.
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Texto publicado pela Captamos, editoria da ABCR de conteúdos aprofundados sobre mobilização de recursos para causas.
