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Apadrinhamento e relacionamento com doadores sustentam a captação do Jardim das Borboletas

No Esquenta Festival ABCR 2026, Aline Teixeira explicou como a organização combina contribuições recorrentes, campanhas, eventos e doações de insumos para manter o atendimento

Manter doações regulares para necessidades que se repetem todos os meses exige um trabalho contínuo de relacionamento. No Jardim das Borboletas, organização que atende pessoas com epidermólise bolhosa, uma doença rara, o apadrinhamento está no centro dessa estratégia. Os apoiadores contribuem com o conjunto do projeto, permitindo que os recursos sejam distribuídos conforme as demandas dos assistidos. Campanhas, eventos, brechós e doações de medicamentos complementam a mobilização e ajudam a sustentar a operação que atende 156 pessoas.

A experiência foi apresentada pela fundadora da organização, Aline Teixeira, durante o Esquenta Festival ABCR 2026. Ela também apresentou a Azzas, iniciativa que nasceu do Jardim das Borboletas para compartilhar conhecimentos sobre captação e gerar receitas para o trabalho da ONG. Patrocinadora do Festival na categoria Investidor, a Azzas levou ao encontro uma discussão sobre construção de vínculos com doadores, transparência e organização da gestão. Segundo Aline, a base de contribuições recorrentes do Jardim das Borboletas reúne cerca de R$ 500 mil mensais.

O apadrinhamento financia o conjunto do atendimento

No modelo adotado pela organização, quem se torna padrinho ou madrinha contribui para o projeto, sem vincular sua doação exclusivamente a uma criança. A decisão considera a diferença entre os custos dos atendimentos e a capacidade de mobilização em torno de cada pessoa. Segundo Aline, algumas crianças precisam de cuidados que representam despesas de R$ 40 mil a R$ 50 mil por mês. Reunir as contribuições permite organizar o atendimento a partir dessas necessidades, sem condicionar o apoio ao número de padrinhos que cada criança conseguiria atrair.

Para explicar a escolha, Aline apresentou uma situação hipotética: duas crianças precisam do mesmo valor para seus cuidados, mas uma consegue mobilizar mil padrinhos e a outra, apenas cinco. Se os recursos ficassem restritos a cada uma, a diferença de arrecadação determinaria quanto poderiam receber, apesar de terem necessidades equivalentes. O apadrinhamento do projeto busca evitar esse desequilíbrio. A proposta é explicada desde a aproximação com o doador, para que ele compreenda como sua contribuição se soma às demais e viabiliza o atendimento.

Esse formato também orienta a prestação de informações aos apoiadores. “A gente vai alimentando esse relacionamento com os padrinhos, contando para eles o dia a dia e a evolução não só de uma criança, mas de todas, através das redes sociais”, afirmou Aline. A comunicação apresenta o trabalho coletivo e mantém o convite à participação. Além dos pedidos regulares de apadrinhamento, a organização realiza campanhas relacionadas a demandas específicas, como a mobilização de fim de ano para ampliar o atendimento às crianças que estão na fila de espera.

Diferentes formas de contribuir ampliam a captação

A organização combina o apadrinhamento com eventos, brechós, bazares pontuais, loja virtual, parcerias com empresas e participação em editais privados. Feijoadas, encontros e feiras também ajudam a apresentar a causa a novos públicos. Aline defendeu que a equipe observe o que cada potencial parceiro pode oferecer e encontre formas de conectar essa contribuição às necessidades do projeto. “Eu acho que no meu projeto cabe todo mundo para ajudar. Eu só preciso saber direcionar cada um para a doação ser assertiva”, explicou.

As doações de produtos e insumos têm peso relevante nessa composição. Durante a palestra, Aline apresentou um total mensal de aproximadamente R$ 1,255 milhão em recursos mobilizados, dos quais cerca de R$ 750 mil correspondiam a dinheiro. O restante reunia produtos, insumos e trabalho voluntário contabilizado pela organização. A distinção ajuda a compreender a operação: uma doação de medicamento atende a uma necessidade e pode reduzir uma despesa, mas não representa dinheiro disponível para pagar salários, serviços ou outros compromissos.

Aline relatou ainda a mobilização de doadores, empresas e igrejas nos Estados Unidos, tanto para contribuições financeiras quanto para o envio de materiais utilizados nos cuidados dos assistidos. Em uma dessas ações, segundo ela, a organização recebeu R$ 1,8 milhão em medicamentos. 

Transparência ajuda a manter os doadores próximos

A prestação de contas foi apresentada como parte do relacionamento que sustenta a captação. Para Aline, mostrar a origem e a aplicação dos recursos permite que os apoiadores compreendam o trabalho e tenham elementos para continuar contribuindo. “Eu entendi que, a partir do momento que você mostra de onde vem e para onde vai, você cria uma credibilidade muito maior nas pessoas que doam e elas querem fazer parte disso”, afirmou. Segundo ela, há padrinhos que acompanham a organização desde o início de sua atuação, em 2016.

A fundadora também destacou a importância de manter a gestão acessível aos doadores. Em seu relato, a proximidade permite esclarecer dúvidas e fortalecer a confiança construída ao longo do tempo. Esse contato tem participação direta de Aline, que utiliza sua imagem na comunicação e concentra uma parcela expressiva da mobilização de recursos. 

A estrutura interna precisa acompanhar o crescimento

Aline apontou a contabilidade como uma mudança importante para a gestão do Jardim das Borboletas. Depois de enfrentar dificuldades com o serviço terceirizado, a organização passou a contar com um profissional dedicado à sua operação. A decisão surgiu da avaliação dos problemas e dos custos que o modelo anterior gerava. “Eu busquei  capacitação na ABCR e no FIFE e fui atrás de capacitar um contador para que pudesse estar dentro do Jardim das Borboletas e tirasse esse peso das minhas costas”, relatou.

O fortalecimento da operação também envolve atenção às pessoas responsáveis pelo trabalho. “Eu aprendi que não é só cuidar do assistido, mas a gente precisa cuidar de quem cuida do assistido e, principalmente, da equipe”, afirmou Aline. A fundadora chamou a atenção para a carga de responsabilidade de quem administra despesas, acompanha situações difíceis e responde à confiança dos doadores. 

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