O primeiro dia de Festival ABCR 2025 teve um espaço especial reservado para reconhecer quem ajudou a construir o caminho até aqui. Na manhã do primeiro dia, fundadores e ex-presidentes da associação subiram ao palco para receber homenagens e relembrar uma trajetória feita de encontros, trabalho voluntário e a crença coletiva de que captar recursos é, antes de tudo, um ato de transformação social.
“ABCR foi fundada por pessoas visionárias que viram a importância de ter uma associação que desenvolvesse, acompanhasse a ética, a qualificação e a profissionalização do setor”, lembrou o diretor executivo Fernando Nogueira ao convidar associados fundadores para subir no palco. Estiveram presentes Aluisio Porto, Marcelo Estraviz, Rodrigo Alvarez, Márcia Pastore, Carla Nóbrega e Custódio Pereira. Outros fundadores não puderam comparecer, mas foram lembrados.
Com mais de 30 anos de experiência, Carla Nóbrega foi convidada a dar um depoimento em nome do grupo e relembrou os primeiros passos do setor e os desafios enfrentados por quem atuava com captação de recursos para causas em um tempo em que a profissão sequer era compreendida. “Naquela época, a gente queria se organizar para fazer isso de uma forma profissional, ética e transparente. A primeira coisa feita foi a criação do Código de Ética”.

Carla também destacou a evolução da área. “Entre 2007 e 2011, nem meus pais sabiam explicar o que eu fazia e hoje a profissão é reconhecida na CBO [Classificação Brasileira de Ocupações]”, disse ela, que celebrou o alcance e a representatividade da ABCR atualmente. “Teve um movimento que começou com mais de 20 pessoas e agora estamos aqui com mais de mil pessoas. Todo mundo estudando captação de recursos”.
Rodrigo Alvarez também teve um momento de fala e resgatou o propósito original da criação da ABCR, há 25 anos. “Para mim, essa é mais do que uma comemoração institucional, é a celebração de um propósito que nos uniu desde o início, era fortalecer o terceiro setor brasileiro com integridade, transparência e compromisso com o bem comum”, afirmou. “Quando a gente fundou a ABCR, não buscava apenas profissionalizar uma área, o nosso desejo era mais profundo: era construir uma cultura de responsabilidade, onde a captação de recursos fosse reconhecida como uma ferramenta de transformação social e não apenas como um meio de arrecadação”.

Homenagem aos presidentes da ABCR
Em seguida, a ABCR prestou homenagens às pessoas que ocuparam a presidência da associação ao longo dos últimos 25 anos. Foram lembrados Custódio Pereira, Cristina Murachco, Marcelo Estraviz, João Paulo Vergueiro, Renê Steuer, que faleceu em 2020 e foi representado pelo filho, Sérgio Steuer, Márcia Woods e a atual presidente, Flávia Lang. Cada nome foi apresentado com as principais contribuições durante seu período de liderança.

Custódio Pereira, primeiro presidente da ABCR, fez um discurso que reforçou o espírito coletivo e o propósito que guiou a fundação da associação. Ele lembrou que a inspiração para criar a ABCR veio após uma visita ao congresso da Association of Fundraising Professionals (AFP), em New Orleans, incentivada por Célia Cruz. “Foi quando pensamos: precisamos levar isso para o Brasil”, disse. Segundo ele, a ideia não era copiar o modelo internacional, mas criar uma entidade brasileira, com identidade própria.
Custódio também lembrou das dificuldades para manter a ABCR nos primeiros anos, quando toda a estrutura funcionava com dedicação voluntária, e a conquista que representou a contratação do primeiro diretor executivo, cargo remunerado que passou a dar sustentação à operação da associação. “A ABCR nasceu, cresceu e eu fico emocionado de ver mais de mil pessoas aqui hoje. Quer dizer: valeu a pena”, disse.

No encerramento das homenagens, a atual presidente da ABCR, Flávia Lang, agradeceu a todos os presidentes, conselheiros, associados, parceiros e colaboradores que construíram a história da associação ao longo de seus 25 anos. Ela relembrou sua própria trajetória na ABCR, que começou com um convite para participar do primeiro Festival ABCR, e mencionou que seu primeiro envolvimento foi como voluntária. “Já são 17 anos e eu sigo como voluntária da ABCR”, disse.
Ao longo da fala, destacou a importância da formação e do fortalecimento do setor de captação de recursos no Brasil. Lembrou que, quando começou a atuar na área, havia poucos espaços de formação e praticamente nenhum dado sobre o campo. Ao longo dos anos, viu surgir diversas iniciativas e uma crescente produção de conhecimento sobre captação de recursos, incluindo o Censo ABCR. Ela também agradeceu à rede de pessoas que, ao longo do tempo, contribuiu para consolidar a ABCR.

Certificação inédita para profissionais da captação de recursos
As homenagens aos ex-presidentes e lideranças terminaram com o anúncio de uma iniciativa inédita da Certificadora Social em parceria com a ABCR: a criação de uma certificação profissional para captadores de recursos de organizações da sociedade civil. O lançamento foi apresentado por Marcelo Estraviz, CEO da Certificadora. A certificação foi construída a partir de experiências internacionais adaptadas ao contexto brasileiro e está disponível em duas categorias:
- Captador de Recursos Qualificado (CRQ), que exige ao menos quatro anos de experiência e aprovação em exame de proficiência;
- Captador de Recursos Experiente (CRE), para quem tem mais de oito anos de atuação comprovada e já captou ao menos R$ 1 milhão para OSCs nos últimos cinco anos.
Estraviz destacou que a certificação é também uma resposta à dificuldade que organizações enfrentam para identificar profissionais qualificados. “A nossa intenção é que a certificação mude esse cenário. Nós vamos poder dizer: ‘eu sou um profissional certificado, eu sei o que estou fazendo, você pode me contratar’”. Os profissionais aprovados poderão usar um selo oficial de certificação em assinaturas de e-mail e materiais institucionais. Para manter o certificado, será necessário seguir o Código de Ética da ABCR e manter-se associado a ela. “A gente vai ter um canal de denúncias. O captador que descumprir o Código de Ética e for denunciado, pode perder a certificação”, afirmou Estraviz.
Com o lançamento da certificação, a Certificadora Social e a ABCR sinalizam um novo capítulo na valorização da captação de recursos como uma profissão estruturada, ética e reconhecida. Em um auditório lotado, diante de profissionais de todo o país, a celebração pelos 25 anos da ABCR reforçou tanto a história construída até aqui quanto os caminhos possíveis para o futuro. Saiba mais em certificadora.org/certificacao-captadores-de-recursos