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10 fontes de receita para uma organização social

Financiar uma organização da sociedade civil envolve decisões estruturais que vão além da captação pontual de recursos. Cada fonte de receita impõe regras próprias, prazos distintos, níveis diferentes de autonomia e exigências administrativas específicas. Escolher como compor o orçamento não é apenas uma questão de oportunidade, mas de viabilidade operacional.

Há mecanismos vinculados a políticas públicas, que exigem prestação de contas detalhada e cumprimento de metas formais. Há recursos privados que demandam indicadores específicos de resultado e relatórios periódicos. Existem ainda modalidades baseadas em doação individual, cuja estabilidade depende da capacidade de manter relacionamento contínuo com apoiadores.

A arquitetura financeira de uma organização é, portanto, resultado de decisões estratégicas e também de condicionantes externos, como marcos regulatórios, editais disponíveis e redes de relacionamento. Para ajudar na decisão de quais estratégias seguir e na diversificação das fontes de receita, elencamos dez  instrumentos utilizados no Brasil para viabilizar atividades no terceiro setor.

1. Doação individual recorrente

Contribuições mensais feitas por pessoas físicas, normalmente por meio de débito automático, cartão ou Pix programado. É uma modalidade que exige estrutura mínima de gestão de base: sistema de cobrança, banco de dados organizado e rotina de comunicação. A previsibilidade depende da taxa de permanência dos doadores. Cancelamentos frequentes comprometem a estabilidade do fluxo. Organizações que optam por esse modelo precisam investir em relacionamento contínuo e transparência sobre a aplicação dos recursos.

2. Grandes doadores

Aportes de valor mais elevado realizados por indivíduos. O processo costuma envolver reuniões diretas, apresentação de planejamento estratégico e detalhamento do orçamento institucional ou do projeto apoiado. A relação tende a ser personalizada e exige preparo técnico para negociação e clareza na prestação de contas. Não é uma modalidade baseada em escala, mas em vínculo institucional.

3. Editais 

Chamadas públicas com critérios definidos de elegibilidade, escopo temático e prazo de execução.O financiamento, geralmente, é vinculado ao projeto aprovado e condicionado ao cumprimento de metas e relatórios. Demandam capacidade de elaboração técnica e cumprimento rigoroso de cronogramas. Para saber mais, acesse nosso guia de captação com editais e acompanhe a abertura de novas chamadas aqui.

4. Parcerias com empresas

A captação com empresas não é uma modalidade única. Ela pode assumir formatos distintos, com graus diferentes de formalização, exigência e retorno esperado. Um dos modelos mais comuns é o patrocínio, normalmente vinculado a projetos específicos. Nesse caso, a empresa aporta recursos em troca de visibilidade institucional, associação de marca ou contrapartidas previamente acordadas. O foco costuma estar em ações com início, meio e fim definidos.

Outra possibilidade é o investimento social privado, quando a empresa mantém uma política ou área dedicada ao apoio a causas. Aqui, a análise tende a ser mais técnica: avaliação de impacto, governança da organização, capacidade de execução e indicadores de resultado ganham peso. O relacionamento costuma ser de médio prazo.

5. Leis de incentivo fiscal

As leis de incentivo fiscal permitem que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto devido a projetos previamente aprovados pelo poder público. No Brasil, os mecanismos mais conhecidos concentram-se nas áreas de cultura, esporte, infância e adolescência e pessoa idosa, mas cada instrumento possui regras próprias de enquadramento, limite de dedução e execução.

Diferentemente de uma doação direta, o recurso incentivado é vinculado. Ele só pode ser aplicado nas ações previstas no projeto aprovado e dentro do período autorizado. A organização não recebe o valor de forma automática: primeiro precisa submeter o projeto ao órgão competente (como ministério ou conselho gestor), obter aprovação técnica e autorização para captação. Só depois pode buscar patrocinadores ou doadores.

Há ainda um aspecto contábil relevante: o recurso incentivado é carimbado e deve ser segregado na execução financeira. Despesas fora do escopo aprovado não podem ser custeadas com esse valor. O controle documental é exigente, incluindo contratos, notas fiscais, relatórios técnicos e comprovação de metas.

6. Emendas parlamentares

Emendas parlamentares são instrumentos previstos no orçamento público que permitem a deputados e senadores indicar recursos para determinadas ações ou projetos. No caso das organizações da sociedade civil, esses recursos podem ser destinados à execução de iniciativas específicas, desde que a instituição esteja apta juridicamente a firmar parceria com o poder público.

A emenda integra o orçamento anual e segue trâmites formais de empenho, liberação e execução. A indicação parlamentar é apenas uma etapa do processo. Após a indicação da emenda, o recurso precisa ser empenhado pelo órgão público responsável e convertido em instrumento jurídico adequado, como termo de colaboração ou convênio.

7. Crowdfunding

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, é uma modalidade de captação baseada na mobilização pública para arrecadar recursos destinados a um projeto específico, dentro de um prazo determinado. Diferentemente da doação recorrente, ele opera por campanha: há meta financeira, período definido e objetivo claramente delimitado.

A dinâmica costuma envolver plataformas digitais que intermediam o processo, oferecem meios de pagamento e divulgam a campanha. Essas plataformas cobram taxas administrativas e, em alguns casos, percentual sobre o valor arrecadado. A organização precisa considerar esses custos no planejamento financeiro.

O elemento central do crowdfunding é a clareza da proposta. Projetos com escopo objetivo, orçamento transparente e cronograma definido tendem a ser mais compreensíveis para o público.

8. Eventos beneficentes

Eventos beneficentes são iniciativas organizadas com finalidade de arrecadação financeira associada à mobilização pública. Podem assumir formatos diversos — jantares, leilões, shows, corridas, bazares, almoços solidários, lançamentos, entre outros — e combinam captação com visibilidade institucional.

Ao contrário do que muitas vezes se presume, eventos não são uma fonte automática de receita. São projetos com custo próprio, risco financeiro e necessidade de planejamento detalhado. A decisão de realizá-los deve considerar estimativa realista de público, ticket médio, despesas fixas e variáveis, além da capacidade operacional da equipe.

Em muitos casos, parte relevante da arrecadação vem de patrocínios vinculados ao evento, e não apenas da venda de ingressos. Empresas podem aportar recursos para ter exposição de marca na iniciativa, o que altera a estrutura financeira da ação. Além da arrecadação direta, eventos cumprem função relacional. Eles aproximam apoiadores, ampliam rede de contatos e podem fortalecer a reputação institucional.

9. Venda de produtos

A venda de produtos é uma estratégia de geração de receita própria baseada na comercialização de itens vinculados à identidade, à causa ou à expertise da organização. Pode incluir camisetas, livros, publicações técnicas, artesanato produzido por beneficiários, ingressos para atividades culturais, cursos gravados, materiais educativos ou outros bens físicos e digitais.

Diferentemente de editais ou parcerias, trata-se de receita gerada diretamente pela própria organização, sem intermediação de financiador. Isso amplia autonomia, mas transfere à instituição responsabilidades típicas de operação comercial. Antes de adotar essa modalidade, é necessário avaliar:

  • viabilidade econômica do produto;
  • custo de produção ou aquisição;
  • margem bruta e margem líquida;
  • demanda real do público;
  • logística de armazenamento e entrega;
  • obrigações fiscais e emissão de documentos.

Para saber mais, confira essa entrevista sobre produtos sociais. 

10. Fundos patrimoniais

Fundos patrimoniais, também conhecidos como endowments, são estruturas criadas para garantir sustentabilidade financeira de longo prazo. A lógica é distinta da captação tradicional: em vez de utilizar diretamente o recurso doado, a organização constitui um patrimônio permanente, investe esse capital e utiliza apenas os rendimentos para financiar suas atividades.

O princípio central é a preservação do principal. O patrimônio acumulado não é consumido na execução de projetos correntes; ele é aplicado no mercado financeiro conforme política de investimento previamente definida. Apenas os resultados dessa aplicação — juros, dividendos ou valorização — são transferidos para custear despesas institucionais.

Se você gostou desse conteúdo e quer saber mais sobre estratégias de gestão de OSCs e captação, acompanhe o site ABCR. Para receber nossas atualizações por e-mail, assine o nosso boletim.

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