No momento, você está visualizando Festival ABCR encerra programação principal com cerca de 1.200 participantes e amplia espaços de troca

Festival ABCR encerra programação principal com cerca de 1.200 participantes e amplia espaços de troca

Segunda maior edição da história reuniu profissionais de diferentes níveis de experiência, apresentou pôsteres e aproximou participantes de empresas que oferecem produtos e serviços para o Terceiro Setor

O Festival ABCR encerrou na sexta-feira (4) sua programação principal após dois dias de palestras, plenárias, exposição de pôsteres, feira de expositores e atividades de integração no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Considerando também as masterclasses realizadas antes e depois do evento, a 18ª edição reuniu cerca de 1.200 participantes.

O segundo dia começou com a plenária “Cultura de captação nas OSCs: o caso do Instituto IPÊ”, com Eduardo Ditt, Graziela Comini e Andrea Peçanha. À tarde, representantes de empresas participaram da conversa “O que a empresa não diz (mas o captador precisa saber)”, com Germano Pereira, Marina Rodrigues, Suellen Moreira e Luis Donadio.

Nos nove palcos, a programação tratou de temas como inteligência artificial, uso e segurança de dados, comunicação, advocacy, captação internacional, leis de incentivo, emendas parlamentares, relacionamento com doadores, gestão financeira, desenvolvimento institucional e parcerias com empresas.

Para Fernando Nogueira, diretor-executivo da ABCR, a diversidade de conteúdos permitiu atender profissionais em diferentes momentos da carreira. “Foi um festival de conteúdo riquíssimo e de muitas trocas. Vimos pessoas que estão começando na captação entendendo a importância da profissão; pessoas que já estão no meio da jornada se profissionalizando cada vez mais, fazendo novos contatos, conhecendo novas ideias e adquirindo novas ferramentas; e profissionais avançados compartilhando conhecimentos, dúvidas e experiências, mas também aprendendo uns com os outros”, avaliou.

Segundo Fernando, esta foi a edição com o maior número de patrocinadores e o segundo maior público da história do Festival ABCR. Ele também destacou a variedade dos debates e a estreia da exposição de pôsteres. “Foram dois dias muito intensos, mas também muito recompensadores”, afirmou.

Uma trajetória de 18 anos

Presidente do Conselho Deliberativo da ABCR, Flavia Lang acompanhou todas as edições do Festival e começou a atuar voluntariamente na associação justamente durante o primeiro encontro, realizado há 18 anos. Para ela, a maioridade do evento também representa o avanço da profissionalização da captação de recursos no Brasil. “Ver esse Festival chegar aonde chegou, saindo de 200 pessoas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e chegar a cerca de 1.200 pessoas, é muito significativo para mim, que o acompanhei desde o nascimento. Foi no primeiro Festival que comecei meu trabalho voluntário na ABCR. Trabalhei voluntariamente nos dez primeiros, montando a programação, e, desde então, todo o meu trabalho voluntário tem o mesmo objetivo: ajudar a desenvolver e valorizar o papel do captador de recursos”, disse.

Na avaliação da presidente, a edição avançou na qualidade dos conteúdos, com destaque para a trilha dedicada à inteligência artificial e aos dados. Ela também ressaltou a realização, nos mesmos dias, de encontros de captação de recursos na Argentina e no México, reunindo profissionais do setor em diferentes países latino-americanos.

Pôsteres abrem novo espaço para compartilhar experiências

Uma das novidades de 2026 foi a primeira exposição de pôsteres do Festival ABCR. A iniciativa permitiu que organizações e profissionais apresentassem metodologias, pesquisas e experiências de captação de recursos em um formato que favoreceu conversas diretas com os participantes.

Matheus Tafuri, representante do projeto social Dojô Bonete, de Ilhabela (SP), apresentou a experiência de uma rifa solidária que mobilizou R$ 155 mil e viabilizou a construção de um espaço cultural e esportivo na comunidade da Praia do Bonete. A campanha reuniu 2.077 apoiadores e deixou R$ 102,5 mil líquidos para o projeto.

Segundo Tafuri, preparar o pôster ajudou a organizar e sistematizar a metodologia utilizada na campanha. “Pude pensar um pouco mais na metodologia e escrevê-la em formato de pôster para facilitar o acesso de quem chegasse para ler. Isso também permitiu desenvolver melhor a metodologia, para que outros projetos possam se organizar e aplicá-la, e para que não fique como algo feito apenas uma vez”, explicou. O pôster foi assinado também por André Queiroz e Fabrícia Rossato. 

Alexandre Matheus, do Instituto Algar, apresentou o pôster “Declaração que Transforma”, sobre uma estratégia que mobilizou mais de R$ 1 milhão em recursos de Imposto de Renda de pessoas físicas para projetos sociais nos últimos oito anos. A iniciativa utiliza uma plataforma que permite calcular o potencial de destinação, escolher projetos e realizar o pagamento.

“Achei incrível [a sessão de pôster] justamente pela visibilidade e pela possibilidade de compartilhar o que fazemos. Todas as pessoas que recebi aqui sabiam que existia a destinação, mas não conheciam essa possibilidade voltada à pessoa física. Vieram organizações interessadas em captar esse recurso, além de proponentes culturais e esportivos querendo entender como poderiam incluir seus projetos na plataforma”, relatou.

O encerramento do Festival também reconheceu os trabalhos que mais se destacaram. A avaliação foi feita por uma comissão composta pela equipe da ABCR e por integrantes do Comitê Científico do Festival ABCR. Foram escolhidos os casos Dojô Bonete, Pulso RS e AzMina

O pôster “Pulso RS: como transformamos a tragédia climática do RS em renda digna para 56 desabrigadas” apresentou a iniciativa criada pela Rede Asta, pelo Atados e pela artista Mana Bernardes após as enchentes de 2024. Mulheres atingidas pelo desastre produziram 19.098 pulseiras de crochê, comercializadas como brindes corporativos e em canais voltados ao consumidor final. A ação gerou R$ 190.980 em renda direta para 56 mulheres de Porto Alegre e Canoas e movimentou R$ 713 mil no total. O trabalho foi assinado por Alice Gonçalves Freitas, Miriam Lima, Mana Bernardes e Daniel Morais.

Mariana Umbelino Lotéria e Natali Lima de Carvalho apresentaram “Como os 10 anos d’AzMina mobilizaram estratégias para viabilizar uma campanha institucional e um festival feminista”. A campanha “Celebrar as conquistas, construir o futuro” arrecadou mais de R$ 102 mil ao longo do ano, enquanto o Festival AzMina: Sonhando Feminismos captou mais de R$ 176 mil, reuniu mais de 500 pessoas e mobilizou oito parcerias com organizações, editoras e marcas. Segundo o pôster, 96% do público demonstrou satisfação com o evento e reconheceu o Instituto AzMina como referência em gênero e tecnologia.

Produtos e serviços para o Terceiro Setor

Além das atividades de conteúdo, o Festival contou com uma feira de expositores formada por empresas que oferecem produtos e serviços voltados às organizações da sociedade civil. O espaço reuniu soluções como plataformas de CRM, comunicação, atendimento contábil e jurídico, consultoria e gestão de projetos, produção de brindes e organização de viagens.

Entre as empresas que participaram pela primeira vez estava a Transline, agência de viagens corporativas que começou recentemente a ampliar sua atuação no Terceiro Setor. Adriana Salles avaliou a estreia como uma oportunidade de apresentar o trabalho da agência e estabelecer novas parcerias. “Está sendo uma experiência muito rica. É a primeira vez que trabalhamos com o Terceiro Setor dessa forma e estamos gostando bastante. As pessoas chegam para conhecer a agência e entender como podemos atender tanto a participação em eventos quanto as demandas de viagens das próprias organizações”.

Também estreante, a Quality Hub apresentou seus serviços de contabilidade, consultoria e governança para organizações sociais. Para Luana Santos, o Festival permitiu mostrar como a regularidade contábil e a transparência se relacionam com a mobilização de recursos. “A experiência foi muito positiva. Além de buscar conteúdos sobre captação de recursos, as organizações precisam entender que a contabilidade é essencial. São temas que se conectam muito bem”.

Aline Teixeira apresentou o Azzas, iniciativa criada a partir da experiência da organização Jardim das Borboletas. O negócio oferece mentorias nas áreas de gestão, captação e contabilidade, além de um sistema de CRM adaptado às demandas das organizações. “Foi surpreendente pelo público e pela procura tanto pelo CRM quanto pelas mentorias. Percebemos a necessidade das organizações de buscar conhecimento para desenvolver essas áreas. Já participo do Festival há mais de dez anos, mas esta foi a primeira vez como expositora”.

A Infinity Brindes levou ao evento produtos personalizados e estratégias que utilizam brindes na captação de recursos. Rogério Veríssimo destacou a oportunidade de reencontrar clientes e estabelecer novas conexões. “A experiência foi muito boa. Encontramos clientes que já trabalham conosco e pessoas que conhecemos em outros eventos do Terceiro Setor. Foi muito bacana vivenciar o Festival junto com quem atua diretamente na captação”, disse.

Sinei Secco, da SJ Gestão e Comunicação, apresentou um software de gestão da captação de recursos desenvolvido a partir da experiência da empresa com organizações filantrópicas. A participação marcou a ampliação da atuação da empresa mineira para outros estados. “Foi uma escolha excelente. Fizemos muitos contatos e estamos muito felizes com a organização e com o apoio que recebemos para estar aqui, porque não tínhamos nenhuma experiência como expositores no Festival. Gostamos demais e, no ano que vem, estaremos aqui novamente”, afirmou.

A MSF Consultoria também participou pela primeira vez para apresentar seu trabalho com projetos financiados por leis de incentivo, convênios, emendas parlamentares e outros recursos públicos. “Ficamos surpresos com o número de organizações e empresas interessadas em conhecer o nosso trabalho e em começar a utilizar as leis de incentivo como outras fontes de recursos para seus projetos e eventos”, avaliou Marcelo Fernandes, sócio-diretor da empresa.

Fotos disponíveis

Os registros fotográficos da 18ª edição já estão disponíveis no Google Drive. A galeria reúne imagens das palestras, plenárias, apresentações de pôsteres, feira de expositores e demais atividades realizadas nos dias 3 e 4 de setembro.

Patrocinadores

A ABCR agradece às empresas e organizações patrocinadoras, apoiadoras e parceiras que contribuíram para a realização do Festival ABCR 2026 e ajudaram a viabilizar os diferentes espaços de conteúdo, intercâmbio de experiências e conexão entre profissionais do setor.

Prosas, Instituto ACP e CLAF/Fecap.

Deixe um comentário