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Festival ABCR chega à 18ª edição

O Festival ABCR 2026 abriu sua 18ª edição nesta quinta-feira (3), em São Paulo, com uma programação voltada aos desafios e às estratégias da mobilização de recursos para organizações da sociedade civil. Ao longo do dia, o público acompanhou debates sobre escuta ativa, inteligência artificial, comunicação, financiamento, desenvolvimento institucional, entre outros temas. À noite, organizações apresentaram seus projetos e pedidos de apoio na plenária “Pitch de captação na prática”, seguida pela Festa ABCR.

Durante a abertura, Flávia Lang, presidente do Conselho Deliberativo da ABCR, lembrou a trajetória do festival, iniciado em 2009, e destacou o crescimento da iniciativa, que começou com 200 participantes em sua primeira edição e chegou a 2026 com cerca de 1.200 inscritos. Rafael Vargas, integrante do Comitê Científico, ressaltou que o trabalho de captação não se resume à obtenção de recursos. “Não é só conseguir recursos, é transformar a vida de pessoas que precisam realmente desses recursos”, afirmou.

Nesta edição foram recebidas 126 propostas de palestras, que resultaram em uma programação com 72 sessões distribuídas em nove palcos, além da primeira exposição de pôsteres do Festival. A programação oficial reuniu conteúdos sobre inteligência artificial, dados, inovação, comunicação, desenvolvimento institucional, sustentabilidade financeira, relacionamento com doadores, financiamento público e articulação entre organizações, empresas e poder público.

Escuta ativa e diversidade de temas

A primeira plenária do dia foi a keynote internacional “Ouviu essa? Escuta ativa é a chave do sucesso na captação de recursos – e na liderança!”, com Martha Schumacher, às 9h30. A partir das 10h30, os participantes puderam escolher entre atividades simultâneas nos nove palcos. Entre os temas abordados estiveram o financiamento da estrutura das organizações, experiências com o Dia de Doar, o uso da inteligência artificial na captação, a retenção de doadores, a transparência em fundos de direitos, técnicas de vendas, assessoria de imprensa e mobilização de recursos como estratégia de desenvolvimento institucional.

No período da tarde, a programação teve a plenária sobre Ministérios Públicos Estaduais e fundos de direitos, além de debates sobre Reforma Tributária e ITCMD, tendências internacionais de doação, captação com empresas, voluntariado estratégico, comunicação para retenção de doadores e construção de ecossistemas de colaboração.

Organizações apresentam seus pedidos

Realizada às 18h, a plenária “Pitch de captação na prática” colocou cinco representantes de organizações no palco para apresentar projetos e pedidos de apoio diante do público e de uma banca de avaliadores formada por Ana Cláudia, Danilo e Jonas.

Marisa Martinello, do Instituto CORE, de Joinville (SC), apresentou um projeto de natação social voltado a crianças da rede pública. A iniciativa busca recursos para oferecer aulas gratuitas e trabalhar a prevenção de afogamentos, além de aspectos educacionais e de formação. “O projeto de natação social não é um projeto somente de esporte. É ensinar crianças a nadar”, disse.

Raquel Spinelli, fundadora da ONG Providenciando a Favor da Vida, falou sobre o atendimento a gestantes em situação de vulnerabilidade e a proteção da primeira infância. Segundo ela, a organização já atendeu mais de 1.200 bebês e famílias. “A gente cansou um pouco de fazer projetos que atacam incêndios. A gente quer fazer projetos que, de fato, possam prevenir a negligência com as nossas crianças”, disse Raquel.

Rita Cardoso apresentou o trabalho da Casa Familiar Agroflorestal do Baixo Sul da Bahia, que oferece formação técnica em Florestas integrada ao ensino médio para filhos e filhas de agricultores familiares. O pedido apresentado foi de R$ 500 mil para a continuidade das atividades. Gabriel Santiago, da Politize!, defendeu uma campanha de conscientização sobre a importância da participação política e do voto nas eleições de 2026. A organização pediu R$ 90 mil para a produção de conteúdos e materiais informativos.

Encerrando a plenária, Giovana Lima, da Life Impact Brasil, apresentou ações de prevenção, resgate e acolhimento de crianças vítimas de abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas. A organização busca recursos para manter projetos em comunidades vulnerabilizadas e uma casa de acolhimento no Amazonas. “Nós acreditamos que o Brasil vai financiar o Brasil”, declarou.

A escolha foi feita por votação do público. Raquel ficou em primeiro lugar, Giovana em segundo e Rita em terceiro. Os cinco participantes também receberam ingressos para a edição de 2027 do Festival.

Festa celebrou a profissão

Depois da plenária, os participantes se reuniram no próprio Centro de Convenções Frei Caneca para a Festa ABCR. Com entrada gratuita e open bar, a atividade celebrou os 18 anos do Festival e o trabalho de profissionais que atuam na captação e na mobilização de recursos. A noite teve apresentação do cantor Fernando Rios, que voltou ao evento com um repertório de música popular brasileira.

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