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Dia de Doar inicia nova fase sob liderança do Movimento por uma Cultura de Doação

Após anos sob coordenação da ABCR, campanha passa a integrar as iniciativas do MCD, com prioridade para sensibilização de indivíduos, mudança de comportamento e fortalecimento de articulações nos territórios

O Dia de Doar iniciou neste ano uma nova fase no Brasil. Depois de anos sob liderança da ABCR, a campanha passa a ser coordenada pelo Movimento por uma Cultura de Doação (MCD), organização que esteve próxima da iniciativa desde sua criação no país e que agora assume a condução do movimento nacional.

Para Juliana Prado, coordenadora de implementação do Dia de Doar neste novo ciclo, a mudança não deve ser lida como uma ruptura, mas como continuidade de uma trajetória já construída coletivamente. “Eu gosto de pensar nesse processo menos como transição e mais como um reencontro. O Movimento por uma Cultura de Doação sempre esteve muito próximo ao Dia de Doar, desde a fundação dele aqui no Brasil. Então, o que eu vejo e o que eu sinto desse processo é que é uma continuidade construída sobre uma base muito sólida, que foi todo o trabalho que a ABCR desenvolveu”, afirma.

A campanha, realizada anualmente como parte do movimento global GivingTuesday, mobiliza organizações, empresas, comunidades, coletivos e pessoas físicas em torno da generosidade. No Brasil, uma de suas marcas tem sido a força das campanhas comunitárias, desenvolvidas de forma autônoma em diferentes territórios por lideranças locais, organizações sociais, empresas e cidadãos. Segundo Juliana, esse legado será preservado e fortalecido na nova etapa. A proposta do MCD é ampliar a presença do Dia de Doar ao longo do ano, conectando a campanha à agenda mais ampla de fortalecimento da cultura de doação no Brasil.

A mudança de liderança acontece em um momento no qual o Dia de Doar já acumula mais de uma década de mobilização no país. Na avaliação de Juliana, a campanha cresceu de forma significativa justamente por ter conseguido chegar aos territórios e reunir pessoas que já atuavam pela generosidade em suas comunidades. “Eu sinto que o Dia de Doar teve um crescimento exponencial e isso se dá, principalmente, pelas pessoas que estão envolvidas na ponta, nos territórios. Aqui no Brasil, o Dia de Doar tem uma fortaleza muito grande, que são as campanhas comunitárias”, diz. 

O Dia de Doar 2024 registrou 80 campanhas comunitárias realizadas em todo o país. Em 2025, o edital de apoio às campanhas, que previa doação de R$ 1 mil para até 25 iniciativas, recebeu o recorde histórico de inscrições, com 293 campanhas registradas. 

Três frentes para o novo ciclo

Para 2026, o MCD definiu três frentes principais de atuação para o Dia de Doar. A primeira é a sensibilização de indivíduos. A intenção é aproximar pessoas que ainda não conhecem o Dia de Doar ou que não veem a generosidade como algo presente no cotidiano. “A gente quer despertar nessas pessoas o desejo de doar. Seja tempo, dinheiro, talento, conhecimento… e mostrar que qualquer ato de generosidade conta e tem um impacto significativo. Então não tem doação mais ou menos importante, todas as doações são igualmente importantes e a gente quer mostrar isso”, afirma Juliana.

A segunda frente é influência e comportamento. O objetivo é mudar a forma como a doação aparece no imaginário social, deixando de ser vista apenas como uma resposta a emergências e passando a ser reconhecida como uma prática cotidiana. “A gente já sabe que o povo brasileiro é muito generoso. Só que essa generosidade é difusa e acontece, principalmente, em momentos de emergência. Queremos trazer para as pessoas comunicações, narrativas humanas e referências culturais para que a doação seja vista como algo natural, algo que já acontece e faz parte do cotidiano”, conta a coordenadora.

A terceira frente é articulação e parcerias, área que já fazia parte da trajetória do Dia de Doar sob liderança da ABCR e que seguirá como prioridade. A proposta é mobilizar empresas, organizações sociais, lideranças comunitárias e indivíduos que acreditam na generosidade e também as plataformas de doação, que já fazem parte desse ecossistema do Dia de Doar, para que o movimento ganhe escala, capilaridade e ainda mais força pelo país.

Um dos desejos do novo ciclo é fortalecer a autonomia das lideranças comunitárias para que elas possam criar e manter ações em seus próprios contextos. Juliana explica que a ideia é que a campanha não dependa apenas de uma orientação centralizada, mas que cada território tenha condições de adaptar a mobilização à sua realidade. “A gente quer conectar as pessoas e as organizações para potencializar essas ações das campanhas comunitárias nos territórios, extraindo o melhor que cada um pode dar, olhando com muita atenção para essa autonomia, porque a gente sabe que ninguém conhece melhor os territórios do que quem vive neles”.

Doação como conversa cotidiana

A nova fase também pretende enfrentar uma barreira recorrente no campo da cultura de doação: a dificuldade de transformar atos pontuais de generosidade em práticas mais regulares e reconhecidas socialmente.

Para Juliana, parte do desafio está em mostrar que a doação não se limita à transferência de dinheiro. Ela pode envolver tempo, conhecimento, cuidado, talento e apoio comunitário. Segundo ela, muitas pessoas já praticam gestos de generosidade, mas não necessariamente se reconhecem como doadoras. Por isso, uma das tarefas do Dia de Doar será criar identificação e proximidade.

O objetivo, segundo ela, é fazer com que a doação deixe de ser um assunto distante e passe a fazer parte das conversas comuns. “O nosso grande objetivo, no fundo, é fazer com que a doação seja o papo do cafezinho na hora do trabalho. Que a gente consiga transformar isso numa conversa rotineira, que as pessoas falem sobre generosidade, que as pessoas falem sobre doar”.

Como participar

Organizações, empresas, lideranças comunitárias e pessoas interessadas em participar do Dia de Doar podem acessar o site da campanha e baixar os materiais disponíveis, que apoiam diferentes perfis de participantes, com manuais específicos para OSCs, empresas e outros públicos. As redes sociais também são um canal de aproximação com a campanha. A partir delas, interessados podem entrar em contato com a equipe e, quando fizer sentido, ser incluídos nos grupos de WhatsApp do Dia de Doar, onde participantes compartilham ideias, exemplos, dúvidas e desafios. “A gente quer fazer com que o Dia de Doar esteja mais presente ao longo de todo o ano e não só em uma data específica. A gente quer fazer com que o trabalho ao longo do ano seja coroado por essa data”, afirma Juliana. “Estamos trabalhando com criação de cultura. E cultura se constrói ao longo do tempo”, finaliza. 

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