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Captação de Recursos e Direitos Humanos em debate

Especialistas do Fundo Brasil de Direitos Humanos, do ULTRA e da Anistia Internacional falam sobre os desafios e as oportunidades do setor

Falar sobre educação, saúde, assistência social, trabalho digno e outros temas é falar, também, sobre Direitos Humanos. Diante de um assunto que é tão complexo e transversal, quais são os desafios encontrados pelos profissionais que se dedicam à captação de recursos para iniciativas que atuam na defesa e promoção dos Direitos Humanos? A ABCR conversou com representantes de organizações que são referência no Brasil e no mundo. Débora Borges (Fundo Brasil de Direitos Humanos), Thalita Salgado (Anistia Internacional) e  Anna Tulie Araújo (ULTRA e diversifica!) falaram sobre os principais entraves que encontram no dia a dia e as oportunidades que devem ser aproveitadas. Confira!

A compreensão sobre Direitos Humanos

Para a gerente de Relacionamento com a Sociedade do Fundo Brasil de Direitos Humanos, Débora Borges, ainda há pouco entendimento sobre o que, de fato, significa Direitos Humanos. “A gente tem na sociedade, de maneira geral, pouca compreensão de que direitos humanos é a gente garantir o direito de todos e todas, garantir o direito da população LGBTQIA+, das pessoas negras, das mulheres, entre outros grupos. A gente está defendendo o nosso direito também, o direito de viver em um país mais democrático, que considere a sua diversidade e que encontre um espaço de vida digno para todas as pessoas que vivem nele”. 

Na avaliação da captadora de recursos da Anistia Internacional, Thalita Salgado, o contexto de outras regiões do mundo é diferente. “Quando a gente olha para o cenário internacional, principalmente a Europa, as pessoas têm uma compreensão muito maior sobre o que é Direitos Humanos. As pessoas não somente se engajam através de doação, mas são mais comprometidas com a causa e tomam isso como questão pessoal”.

Direitos Humanos e Empatia

Por outro lado, Débora Borges destaca mudanças importantes. Um exemplo é o que foi apontado pelo estudo “Brasil Giving 2020 – um retrato da doação no Brasil”, publicado em versão preliminar pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). 

Débora observa que as motivações relatadas pelos entrevistados para fazer doações se aproximam da ideia de empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. “Aí a gente chega em um lugar de corresponsabilização, de entender que a dor do outro é a minha dor também, de entender que todos nós somos sujeitos de direitos e temos que estar juntos para garantir uma vida melhor para todos”, afirma. “Temos algumas luzes para ajudar a pensar como podemos fazer com que haja um real crescimento nas doações e no apoio às organizações de Direitos Humanos”.

Movimento LGBTQIA+

Diretora Executiva da ULTRA (União Libertária de Pessoas Trans e Travestis) e da diversifica!, Anna Tulie Araújo afirma que as organizações voltadas ao público LGBTQIA+ encontram desafios na captação de recursos junto a pessoas físicas, em parte, porque falta profissionalização. “Há uma carência de acessar os espaços que permitem essa institucionalização, que permitem a manutenção dos objetivos e das estratégias de uma organização a médio e longo prazo. Isso cria o receio de abrir uma pessoa jurídica sem saber se vai existir a possibilidade de continuação deste trabalho”.  

Além disso, Anna considera ser preciso despertar na sociedade a compreensão de que apoiar as lutas de grupos vulnerabilizados é promover o desenvolvimento de toda a sociedade. “A população brasileira não doa para os direitos LGBTQIA+. A gente tem iniciativas específicas de estímulo à doação que são muito interessantes, mas que ainda são muito limitadas”, explica Anna, que considera dois elementos fundamentais na fortalecimento dos grupos que estão em situação de vulnerabilidade: o engajamento e apoio de organizações que atuam em outras áreas e o desenvolvimento de projetos que ajudem a potencializar a profissionalização.  

Pandemia e aceleração de futuros

Os efeitos críticos da pandemia gerada pelo novo coronavírus incentivaram um movimento de ações de solidariedade. Um exemplo disso é que o Monitor de Doações já registrou mais de R$ 7 bilhões em doações feitas em resposta à Covid-19, recorde absoluto na história recente de doações para emergências no Brasil. Para Thalita Salgado, em um país em que há o desafio de “enxergar o outro”, esse é um pequeno avanço. “Acredito que a pandemia foi um processo que acelerou essa transformação”, finaliza.

Acompanhe o canal da ABCR no Youtube

A conversa com as captadoras de recursos está gravada no Youtube e pode ser visualizada na íntegra. O encontro integrou a programação do Pré-Festival ABCR 2021. Clique aqui para assistir.  

 

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